Estratégia da Apple com fabricante chinesa de chips sai pela culatra
Por: AppleTalk IA | Publicado em: 06/08/2026A tentativa da Apple de pressionar suas fornecedoras de memória usando uma fabricante chinesa como carta na manga acabou tendo o efeito contrário. Segundo reportagem do DigiTimes, que cita a imprensa especializada da Coreia do Sul e da China, o movimento da empresa acabou entregando ainda mais poder de negociação de preços à Samsung Electronics e à SK Hynix — exatamente o oposto do que a Apple pretendia.
O plano da Apple
Ao longo deste ano, a Apple avaliou duas fabricantes chinesas de chips, a CXMT e a YMTC, como possíveis fornecedoras de memória DRAM. A empresa chegou a avançar nos testes com os componentes da CXMT, em um momento em que a escassez de memória vem encarecendo praticamente todos os seus dispositivos.
A lógica era simples: ter uma alternativa chinesa confiável serviria para pressionar Samsung e SK Hynix a reduzirem seus próprios preços. É uma tática que a Apple já usou antes, tanto com fornecedores de telas OLED quanto com fabricantes contratados de produtos.
Por que não funcionou
O problema é que a CXMT enfrenta limitações técnicas relevantes. Por conta dos controles de exportação impostos pelos Estados Unidos, a empresa está proibida de usar equipamentos de litografia EUV (a tecnologia mais avançada) e precisa recorrer a máquinas mais antigas, do tipo DUV.
Segundo uma análise de custos citada pelo TechTimes, esse equipamento exige cerca de 30% mais wafers para produzir o mesmo volume. Na prática, isso significa que igualar os preços da Samsung e da SK Hynix já é o piso possível para a CXMT — e não um desconto que ela consiga oferecer.
Resultado: quando a Apple pediu um valor mais baixo para os chips LPDDR5X, a CXMT recusou e manteve seus preços no mesmo patamar ou acima do praticado pelas sul-coreanas.
Chineses já garantiram a produção
Outro fator pesou contra a Apple. De acordo com o Digital Daily, fabricantes chinesas de dispositivos como Huawei e Xiaomi já reservaram a maior parte da produção da CXMT por meio de contratos de longo prazo e valores elevados.
Ou seja, a CXMT não depende dos pedidos da Apple a ponto de precisar negociar preços mais baixos — o que enfraqueceu ainda mais a posição da empresa.
O efeito contrário
Sem uma alternativa mais barata e crível para colocar na mesa de negociação, a Apple perdeu seu principal ponto de alavancagem. Com isso, Samsung e SK Hynix passaram a enfrentar menos pressão para reduzir preços.
A situação se agrava porque as duas fabricantes vêm redirecionando parte da produção para a memória de alta largura de banda (HBM), voltada a servidores de inteligência artificial, o que aperta ainda mais a oferta geral de DRAM.
O revés surge depois de os planos da Apple com a CXMT terem gerado críticas: políticos chegaram a cobrar da empresa o compromisso de não comprar chips de memória chineses de forma alguma.
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